76% das compras seguem presenciais: o PDV físico está vivo — e virou mídia

Há anos se ouve que a loja física estava com os dias contados. Os números de 2026 dizem exatamente o contrário: 76% das compras ainda acontecem presencialmente, segundo a Coresight Research. O ponto de venda não sobreviveu por teimosia — ele se reinventou. E quem olha para a gôndola com atenção hoje enxerga algo novo: a loja virou canal de mídia.

A loja física virou mídia. Literalmente.

O mercado de retail media deve atingir US$ 203,9 bilhões em 2026 — um crescimento de 14% em relação ao ano anterior, também de acordo com a Coresight Research. E uma parte importante desse bolo está dentro das lojas: telas digitais, áudio ambiente e materiais de PDV que se atualizam em tempo real conforme o estoque, o clima ou o horário.

Na prática, isso significa que a comunicação com o shopper acontece no momento exato da decisão de compra — algo que nenhuma mídia digital consegue replicar com a mesma precisão. O corredor do supermercado deixou de ser só espaço de abastecimento para se tornar espaço de influência.

E o e-commerce? Não é rival — é parceiro

Mesmo com o e-commerce representando cerca de 19% das vendas do varejo brasileiro (projeção eMarketer), o consumidor não escolhe entre um canal e outro: ele pesquisa no celular, compara preços online e fecha a compra na loja. O digital não matou o PDV físico — ele aumentou a importância de uma boa execução dentro dele.

O que isso significa para as marcas

Para marcas de doces e bebidas — e para qualquer indústria que abastece o varejo — a mensagem é clara: a gôndola é o lugar onde a decisão acontece. E três movimentos separam quem executa bem de quem só abastece:

  • Presença inteligente: facing, pontos extras e materiais POP deixam de ser custo e passam a ser investimento mensurável;
  • Dados em tempo real: equipes que reportam rupturas, preços e execução no momento em que acontecem podem gerar até 15% de vendas incrementais;
  • Experiência na loja: o shopper espera fluidez e personalização dentro do PDV, com a mesma inteligência que encontra no digital.

O papel de quem está na loja

Nenhuma tecnologia substitui o olhar de quem está na linha de frente. O promotor continua sendo os olhos da marca dentro do PDV — só que agora, equipado com ferramentas que transformam cada visita em dado, cada dado em decisão e cada decisão em venda.

O PDV físico não está vivo por resistência. Está vivo porque é ali que a compra acontece — e, cada vez mais, é ali que a mídia também.

Fontes: Coresight Research (via Rockbot, Retail Media Trends 2026); eMarketer; Revista Shopping Centers — “Trade Marketing 2026: a revolução silenciosa do ponto de venda”.